Construção de usina em Fortaleza pode inviabilizar uso da internet no Brasil; entenda os motivos

Por Fonte83 - 07/10/2023

A construção de uma usina na Praia do Futuro, em Fortaleza, tem provocado tensão nas redes sociais e empresas de telefonia no Brasil. Isso porque, a obra, que tem como objetivo dessalinizar a água do mar, pode causar o rompimento dos cabos subaquáticos que fornecem internet pelo Brasil.

A escolha dessa praia em específico é resultado de uma série de fatores. A iniciativa de construir a usina está sendo liderada pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), uma empresa ligada à administração estadual. As obras estão programadas para serem realizadas por meio de uma Parceria Público-Privada com o consórcio Águas de Fortaleza, que ganhou o edital de licitação com um investimento estimado de R$ 3,2 bilhões

A área escolhida para abrigar a usina é reconhecida como uma das regiões de maior qualidade da água em Fortaleza. Além disso, a região desfruta de condições marítimas altamente favoráveis. A ausência de obstáculos facilita a diluição da salmoura, substância gerada a partir do processo de dessalinização. Outra vantagem apontada está na proximidade da Praia do Futuro em relação aos reservatórios que receberão a água potável tratada.

A decisão, no entanto, poderia acarretar em custos adicionais devido à necessidade de construir uma adutora para transportar a água tratada até Fortaleza.

De acordo com o plano estabelecido, a usina está projetada para aumentar em 12% a disponibilidade de água na região metropolitana de Fortaleza. A configuração da usina engloba uma torre designada para efetuar a captação de água do mar a uma profundidade de 14 metros. No projeto inicial submetido à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), as tubulações estavam posicionadas entre dois cabos submarinos, com distâncias entre 40 e 50 metros.

Saindo de Fortaleza, os cabos se estendem até as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Além disso, os cabos estabelecem uma conexão veloz entre o Brasil e a Europa, garantindo acesso à internet. De acordo com a Anatel, esses cabos são responsáveis por canalizar 99% do tráfego de dados no Brasil. O plano inicial do programa passou por revisões a pedido da Anatel. O projeto foi modificado para assegurar que as tubulações da usina mantenham uma distância de 567 metros dos cabos de fibra ótica.

A empresa também comunicou que realizou ajustes no projeto, que acarretaram em um custo adicional de aproximadamente R$ 35 a 40 milhões. As negociações para tornar a usina uma realidade estão em andamento. Isso porque, de acordo com o diretor executivo, a continuidade do projeto não está sujeita à aprovação da Anatel.

Se o processo avançar, a construção da usina está programada começar em 2024. A ideia é iniciar o fornecimento de água no primeiro semestre de 2026, de acordo com as estimativas do presidente da Cagece, conforme informações do site msn.